Bate-Leque com Ianca Santos
- BLACK QUEER FESTIVAL
- 24 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

B-Queer convidou Ianca Santos para bater leque com a gente.
Bate-Leque, uma conversa rápida, direta e cheia de personalidade, inspirada no tradicional bate-bola.
IANCA - Mestranda em Comunicação, Mídia e Formatos narrativos e Bacharel em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB. MBA em Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto - Instituto Legado em Curitiba.
O que te moveu a criar este filme?
Sempre enxerguei o cinema como uma possibilidade de cura, e criar o filme Tá
Fazendo Sabão me levou a revisitar um trauma de infância que me assombrava
há muito tempo, a ponto de eu sentir medo de falar sobre minha sexualidade.
Foi justamente por isso que decidi abordar um tema tão íntimo e doloroso de
forma debochada e leve, encontrando na minha forma de falar uma maneira de
transformar a ferida em afeto.
Negritude e queeridade: como te atravessam?
No filme, trago algumas questões que atravessaram minha infância, como o fato de eu não gostar de tirar fotos, eu realmente odiava, pois sofria racismo na escola,
especialmente quando usava tranças. No que diz respeito ao queer, havia a falta de informação e o preconceito que predominavam em boa parte da minha família. Por isso, o processo de aceitação tanto da minha identidade racial quanto da minha identidade sexual foi muito difícil, ainda mais quando se cresce lidando com violências que atravessam todas as estruturas sociais.
Maior desafio?
Desde 2020 realizo filmes com minha mãe, e Tá Fazendo Sabão também foi feito com a ajuda dela. Até hoje, ela não sabe da existência desse filme, embora eu acredite que desconfie. Fazer um filme ao lado dela sem revelar nada sobre a história que estávamos construindo foi meu maior desafio. Precisava traduzir, com poucas palavras, as imagens que criaríamos juntas, sabendo que a narrativa só encontraria sua forma final na montagem.
Quem te inspira no cinema negro/indígena queer?
Marlon Riggs
Juan Rodrigues
Uma música ou clipe predileto?
Febre de Liniker e Thiaguinho
Um filme negro/indígena?
Arco do Tempo de Juan Rodrigues
Futuro do cinema negro/indígena LGBTQIAPN+?
Espero que o futuro do cinema negro, indígena e LGBTQIAPN+ reflita uma sociedade realmente pronta para conviver com a diversidade uma sociedade aberta a compreender e acolher as diferenças que nos atravessam. Que esse cinema não precise mais justificar sua existência, mas seja celebrado como parte fundamental da nossa cultura e das múltiplas formas de existir no mundo.
O filme de Ianca Santos Oliveira "Tá fazendo sabão" será exibido no Black Queer Festival. Confira local, data e horário acessando no site www.blackqueerfestival.com ou no instagram @black.queerfestival
Realização: Tubo de Ensaio - Experimental Filmes



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