Bate-Leque com Dominic Arievilo
- BLACK QUEER FESTIVAL
- 24 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

B-Queer convidou Domici Arievilo para bater leque com a gente.
Bate-Leque, uma conversa rápida, direta e cheia de personalidade, inspirada no tradicional bate-bola.
Dominic Arievilo é artista plástico, cineasta, professor e produtor cultural do extremo sul da Bahia. Atua na intersecção entre audiovisual, artes visuais e memória, com foco em narrativas que afirmam as dissidências de gênero, raça e território. É um corpo racializado, de origem tupinambá, se identifica como um copo indígena afrodescendente, é uma pessoa transmasculina ativista dos direitos das pessoas trans. Tem sua formação acadêmica pela universidade federal do sul da Bahia em Bacharelado e Licenciatura em Arte e formação livre em audiovisual pela ESCULT.
É idealizador do PotransBA – Portfólio de Trans Baianos, o primeiro projeto dedicado à visibilidade de artistas trans e não bináries na Bahia. A primeira ação do PotransBA foi uma série documental contemplada pelo edital Palma da Mão, via Lei Aldir Blanc, consolidando a proposta como um marco na valorização de corpos dissidentes nas artes visuais e no audiovisual.
O que te moveu a criar este filme?
“Masculinidade Plástica” nasceu da urgência de ver corpos transmasculinos e não binários ocupando o centro da narrativa. Cresci sem referências de masculinidades possíveis para mim e, quando comecei a criar, entendi que meu cinema podia ser um espaço de reparação: contar nossas histórias com dignidade, complexidade e beleza. O filme é uma resposta a essa ausência e também uma afirmação de existência.
Negritude e queeridade: como te atravessam?
Me atravessam como corpo, como memória e como política. Ser negro e trans no extremo sul da Bahia é viver camadas de resistência diária, mas também de muita criatividade e afeto coletivo. Minha arte nasce dessas encruzilhadas desse jeito de existir que inventa e abrir caminhos onde antes não havia trilha.
Maior desafio?
O maior desafio foi criar uma obra profundamente íntima em um território onde a presença trans masculina ainda é invisibilizada. Produzir com uma equipe majoritariamente transmasculina e não binária, e falar de nossas vivências de forma honesta, também exigiu coragem, cuidado e compromisso ético.
Quem te inspira no cinema negro/indígena queer?
Clementino Júnior é uma referência gigantesca pra mim pela força política, pelo compromisso com a memória e pelo cuidado com que ele constrói imagens negras. Também me inspiram todes que filmam a partir das margens, fazendo do cinema um território de vida.
Uma música ou clipe predileto?
“Oceano”, de Djonga, em especial as performances ao vivo é uma faixa que me atravessa pelo fluxo, pela entrega e pela presença.
Um filme negro/indígena?
Meu filme preferido é BESOURO, é um filme nacional com muito representatividade, foi o primeiro filme que me deixaram assistir que tinha referências sobre religião de matriz africana, além de ter sido um filme criando com editais, de forma independente, é inspirador
Futuro do cinema negro/indígena LGBTQIAPN+?
O futuro é plural, corajoso e cada vez mais produzido por nós mesmos. Eu vejo um movimento potente de retomada: ocuparmos a câmera, a direção, o roteiro, a produção e definirmos como nossas narrativas são contadas. O futuro é trans, é indígena, é negro e é coletivo. Ainda somos muito marginalizados com certeza, mas nos últimos anos temos visto cada vez mais produções dos nossos e isso me faz esperançar.
O filme de Dominic Arievilo "Maculinidades Plásticas" será exibido no Black Queer Festival. Confira local, data e horário acessando no site www.blackqueerfestival.com ou no instagram @black.queerfestival



Comentários